quinta-feira, 14 de março de 2013

Gibson Flying V

Albert King, um dos primeiros ícones da Flying V.


Também chamada de "V Factor", é um modelo futurista, criado por Ted Maccarty (designer e presidente da Gibson na época. Desenhou nada mais nada menos que o modelo "Les Paul") e lançado em 1958. O modelo não agradou e em 59 já foi deixado de lado pela Gibson.

Mas como o ser humano sempre precisa de uma imagem forte e inspiradora (olha aí os gênios, como sempre, emprestando um pouco da sua autoestima e personalidade), Albert King e Jimi Hendrix apareceram usando Flying v's e adivinhem o que aconteceu? A Gibson relançou em 1967 e virou um clássico. Algumas pequenas diferenças foram surgindo entre as séries lançadas: desenho do head, truss rod cover e pontes, basicamente. A poucos anos a Gibson lançou o modelo "flying v reverse", por sinal, uma verdadeira aberração. Em 81 a Gibson lançou também baixos V, mas não foram feitos muitos e nem tiveram o mesmo sucesso das guitarras.
A lista de famosos usuários do modelo ficou grande, de lá pra cá: Michael Schenker, Lenny Kravitz, James Hetfield, Kirk Hammet, Ed Van halen (a música hot for teacher foi gravada com uma V) entre varios outros.

O modelo serviu como base para a criação de outros nos 80's, talvez o mais famoso seja a Jackson Randy Rhoads.

Eu particularmente acho as Flying V lindíssimas, é incrível a genialidade de caras como o Mccarty e Leo fender. Fizeram modelos imortalizados, modernos e atuais, há décadas. De fato o desenho dessa guitarra não é muitto fácil de se tocar sentado, isso é uma das características que mais reclamam. Mas com jeito dá pra se adaptar a isso. O visual compensa! O timbre vai na onda de guitarras com configurações parecidas, de corpo sólido, braço "set in" (colado) e dois humbuckers. Muito power, dá logo vontade de tocar rock, não tem jeito!





Ed Van Halen

Lenny Kravitz

Precisa dizer quem é?

Michael Schenker

James Hetfield



terça-feira, 12 de março de 2013

Chicago fret works

 Nas minhas pesquisas internéticas/luthierísticas sempre curto pesquisar o trabalho de gente boa no Brasil e no exterior. Uma oficina/atelier que me chamou muito a atenção é a "Chicago fret works", localizada - naturalmente - em Chicago.

Os responsáveis pelos serviços e proprietários da oficina se chamam Steve Baker e Dan Wolf. Os caras mandam ver, o trabalho é magnífico. Recuperam guitarras caríssimas(quando eu digo guitarras caríssimas falo de dezenas de milhares de dólares) de décadas de uso que sofreram danos severos como: pinturas estragadas, rachaduras, headstocks quebrados.... E os caras fazem um relic incrível pra cada caso, levando em conta todos os detalhes de cada instrumento. Também tem serviço de amps, inclusive vi uns heads Marshall do Red hot chilli pepers (é mole?) para reparo, em uma das páginas do site deles.

Aqui no Brasil (em Fortaleza nem se fala...) a gente tira leite de pedra, mas tem melhorado significativamente o acesso a um bom ferramentário e a uma estrutura razoável para luthieria. Obviamente a mão de obra nos países de primeiro mundo é muito melhor remunerada e o trabalho técnico mais respeitado. Outra coisa que infelizmente temos muito aqui é a falta de humildade dentro da própria profissão. É um querendo dar rasteira no outro e isso só faz prejudicar a sí mesmo e aos colegas, que muitas vezes poderiam trocar informações e experiências. Sou felizardo de ter bons amigos, dentro e fora da profissão, que me ajudaram desde o início e me ajudam até hoje.

Enfim, não custa nada sonhar com uma oficina dessas, né? Estou só no comecinho da minha jornada e prometo muita novidade bacana daqui pra frente.

Deêm uma olhada com essa ferramenta do Google maps (incrível isso, por sinal) na parte interna da "Chicago fret works"

e aqui algumas fotos de um serviço , feito por eles, em uma PRS que estava toda destroçada:















E aqui o site dos caras na seção "workbench", onde tem varios dos serviços:
http://www.chicagofretworks.com/workbench/

sexta-feira, 8 de março de 2013

Fernandes Revival

Essa strato é mais uma das japinhas que tenho adimiração. A fernandes também se enquadra nas marcas do meu post sobre guitarras japonesas (vide post "made in japan") e pertence ao Luís César - tá virando garoto propaganda, hein?

Como ele pegou usada, infelizmente alguma das mãos que ela passou teve a idéia de raspar o logo da Fernandes e tirar a pintura. Que pecado, essa é uma guitarra de muitos anos e respeitável,  provavelmente quem fez isso não sabe da qualidade da mesma. Mas já estamos combinando de colocar o decalque com o desenho original, por sorte achei um gringo que vende. Essa guita tem braço em maple bem selecionado, escala e rosewood e o corpo me parece alder.

Ela veio para serem trocados os trastes por inox mas acabou passando por outros serviços: O tensor não funcionava, estava no final do curso e não tinha mais alcance. Tive que fazer uma arroela de cobre pra colocar atrás da bala, é um artifício antigo esse. Também aproveitei e dei mais umas demãos de nitrocelulose já que o verniz estava bem ralinho em alguns lugares. Esse tipo de verniz é bem frágil comparado ao poliester ou o próprio poliuretano, mas é um acabamento "vintage", mais delicado.

Falando da troca de trastes, aproveitamos e fizemos um raio composto de 12'' para 16''. Isso proporciona ações de cordas super baixas com bends bem altos sem trastejar. Os trastes são os que sempre tenho colocado, Jescar jumbo. A guitarra ficou com uma pegada fenomenal!








quinta-feira, 7 de março de 2013

MusicMan Stingray

O Stingray é um dos modelos de baixo que, mesmo sem saber tocar baixo, gostaria de ter. Tem uma vibe meio retrô, que não sei explicar, mas que me chama a atenção. Talvez seja o simples fato de ser oriundo dos 70's e por ter como um dos idealizadores, um senhor chamado carinhosamente de "Leo Fender".Pra quem não sabe ele tornou-se presidente da MusicMan depois de um tempo de ter vendido sua marca para a CBS.

É um instrumento de muita personalidade, ainda mais por ter apenas um único humbucker (no modelo do baixo em questão) próximo a ponte. Mas  os controles paramétricos dão varias possiblidades, dentro dos limites do único captador.

Outro detalhe dos instrumentos da MusicMan (não sei ao certo, mas creio ser invenção deles) é a bala de tensor "spoke wheel" que se trata de uma bala  circular, rosqueada e com varios furos ao redor, que fica aparente no final da escala. Em alguns modelos antigos ainda não eram assim, não sei de quando é a criação da peça. Facilita e muito a vida dos luthiers, já que com qualquer objeto rígido como chave de fenda, allen... que encaixe na espessura dos furos, pode servir de chave de regulagem e a bala fica ali de cara, fácil acesso. Todo mundo que trabalha com isso já teve problemas com balas espanadas, chaves que não encaixam por terem padrões de medidas não usuais e sem contar com os fender antigos que vc tem que tirar o braço pra regular... É uma forma genial de se facilitar as coisas mas poucas marcas e alguns luthiers apenas adotaram.

O shape do braço é gordo, característica de instrumentos mais antigos. Algumas pessoas acham difícil se adaptar a isso, portanto se você gosta de braços muito finos de instrumentos modernos é bom considerar isso ao comprar um instrumento desses sem testar.

O baixo citado (muito bonito, por sinal) pertence ao Renan Maia, ótimo baixista da cena musical de Fortaleza. Foi trazido pra uma manutenção de rotina, foram reguladas oitavas, tensor, ação das cordas e polidos os trastes. Foram colocadas cordas Ernie ball 045.







quarta-feira, 6 de março de 2013

Made in Japan

 Sempre me interessei não só por instrumentos, mas por qualquer objeto que pareça ter muita história por trás. Velharia mesmo, rádio, vitrola, escrivaninha, máquina de datilografar... Não é a toa que adoro lojas de artigos antigos, pra muitos um amontoado de cacarecos. Pra mim tem muita história ali escondida e que fico imaginado mil coisas que podem ter passado, lugares por onde podem ter viajado.

Há alguns anos comecei a ter curiosidade sobre algumas marcas de guitarras feitas no Japão. Vi alguns nomes sendo comercializados no mercado livre, como: Greco, Tokai, Burny, Orville... e que eram instrumentos com aquela cara "vintage". E até mesmo pelo preço não deviam ser coisa ruim.

Comecei a ler alguns sites japoneses, além do próprio Ebay que comercializam muitas dessas marcas oriundas da terra dos samurais. Via em varias dessas marcas o nome "Lawsuit" e não sabia do que diabos se travata. Pois bem, vou fazer um breve resumo sobre o assunto (adaptado de um texto de um colecionador e especialista de guitarras Japonesas, Andrew Mechling):

Entre as décadas de 1960 e 1970 o Japão tinha varias boas marcas de guitarras baseadas nas guitarras clássicas dos 50's e 60's. Eram instrumentos bem feitos, a aparência e o timbre eram muito próximos das originais. Por volta de 1980 as réplicas feitas pela Greco, Tokai e Burny/Fernandes chegaram ao top em construção e modelos variados.

A "Lawsuit", ou "ação judicial", aconteceu por volta de 1981 quando a Gibson, Fender, Rickenbacker e outras marcas americanas ficaram impressionadas e indignadas com as cópias de suas marcas que ameaçavam as vendas das marcas. Essa briga durou algum tempo então as marcas japonesas cederam e fizeram algumas modificações para se distanciarem do estigma de "réplicas". As guitarras apelidadas de "lawsuit" são as que estavam no meio do período dessa briga e são consideradas as mais bem construídas.

Algumas marcas  japonesas como Edwards e ESP Navigator fazem ainda hoje guitarras maravilhosas baseadas em Gibson Les paul, por ex, mas só são comercializadas oficialmente no mercado do Japão.

Eu comprei a alguns anos uma Yamaha Studio lord (achei um catálogo em que ela aparece e diz ser do começo dos 80's ) que tem algumas modificações como no headstock, mas é uma les paul maravilhosa, só que não é uma réplica, portanto não se enquadra nas "Lawsuit". Mas como dizem que o mundo é dos espertos (infelizmente) é super comum qualquer guitarra japonesa antiga ser anunciada como "Lawsuit era".

Enfim, ainda vou pegar uma Lawsuit, só estou esperando aparecer uma boa oportunidade. Algumas chegam a custar até 5.000 dólares no mercado exterior (isso mesmo, mais caro que a maioria das gibson novas top de linha) mas com sorte vc acha uma boa guitarra japonesa por 1\10 disso. E não precisa ser Lawsuit se vc não procura uma réplica perfeita. Mas isso não é pra iniciantes se arriscarem pois você pode comprar gato por lebre facilmente, tem muitas informações e detalhes sobre cada marca a ser estudado antes de achar que é uma boa guitarra! O assunto é vasto e cada marca (existam varias) tem a sua história e detalhes.

Curiosidade: Você sabia que existe Epiphone Made in Japan? e essas são instrumentos excelentes! Muito superiores às outras Epiphones asiáticas.

Aqui vai um site japonês que tem varias informações e também vende essas maravilhas: http://guitarsjapan.com/
Algumas réplicas:









domingo, 3 de março de 2013

Tesla pickups na Condor clp2

Nessa guitarra, do meu camarada Luis César, fizemos basicamente 3 coisas: Blindagem, regulagem e instalação de 2 pickups Tesla VR3. Como o Luis curte rock clássico e queria dar um "up" no som da guitarra esses captadores cairam como uma luva.

O set da Tesla possui um timbre nada agressivo, muito pelo contrário, são bem suaves como velhos PAF's. Tem bastante brilho mas nada ríspido, é bem agradável. Com drive ficam uma belezura pra se tocar rockões 60's/70's e com crunch um blues fica um filé mignon. Pra se tocar  jazz talvez tenha um brilho a mais mas não devemos esquecer que a tonalidade da guitarra funciona nessas horas

Agora uma coisa é certa, guitarrista com a "mão de algodão" sofre pra tirar som de pickups mais suaves, tem que se reeducar, começar a entortar prego com os dedos, abrir côco na tapa também é um bom exercício pra pegada (....isso foi uma brincadeira..). Mas se você toca com pegada sai até um heavy metal tradicional numa boa com esses pickups.

Enfim, aproveito o post pra reforçar que sou revendedor da marca Tesla, que possui uma linha vasta de captadores pra guitarra e baixo. Tem pra todo gosto: vintages clássicos, ativos,alnico 5, alnico 2, cerâmicos, singles, mini humbs, p90, music man, soapbar, jazz bass, precision... A marca tem uma qualidade inegável na construção, acabamento e o melhor que é o timbre dos captadores.

Os captadores Tesla são uma alternativa pra quem quer apostar numa novidade,  que briga com as melhores marcas importadas do mercado e que custa quase a metade do preço, sem dever nada em qualidade.
Interessados entrem em contato comigo para orçamento.











sexta-feira, 1 de março de 2013

Warwick "Corvete $$"

Esse baixo foi trazido pelo Eduardo Melo pra uma regulagem de rotina, ele comprou recentemente. É um Warwick muito bem acabado mesmo sendo um instrumento "made in china".
Infelizmente dei a notícia de que o baixo apresentava um defeito sério na escala que comprometia a tocabilidade do instrumento. Apresentava uma rampa no final da escala (dá pra observar na primeira foto).

Mas felizmente ele trouxe pras mãos certas! hehehe. Tive que nivelar a escala novamente, tirei muita madeira pra poder o braço ficar retilíneo novamente. É um trabalho meio chato, principalmente quando a irregularidade é muito grande. Aproveitamos e colocamos trastes jumbo Sanko já que os originais eram terríveis, muito moles.

O instrumento agora está tocando e regulando perfeitamente e com o acabamento dos trastes melhorado.
A primeira foto mostra o defeito da escala, nas seguintes o baixo recuperado: